O deputado estadual Marcius Machado anunciou nesta semana o recuo definitivo no projeto que pretendia transformar o estádio Vidal Ramos Júnior, conhecido em Lages como Tio Vida, em uma estrutura com pista de atletismo profissional de oito raias. A decisão veio após semanas de pressão de torcedores e dirigentes do futebol local, em um cenário que já incluía o anúncio de um segundo projeto, supostamente complementar, para minimizar os impactos da proposta original.
A ideia inicial do parlamentar previa a construção da pista com certificação internacional da World Athletics, troca do gramado natural por um sintético e demolição de parte da arquibancada. Esse último ponto foi o que mais incomodou a comunidade ligada ao Inter de Lages: a capacidade do estádio seria reduzida em três mil lugares, exatamente no momento em que o clube projeta disputar o Campeonato Catarinense em 2027 e tenta consolidar uma estrutura de jogos profissionais.
Diante da reação contrária, o deputado lançou um segundo projeto, que falava em ampliar arquibancadas e construir novos vestiários. A proposta, porém, escancarou as dúvidas sobre o cronograma. Sem licitação aberta, sem estudos finalizados e em pleno ano eleitoral, ficou difícil sustentar o argumento de que duas obras complexas seriam entregues a tempo da volta do Inter à elite estadual. Os bastidores políticos passaram a questionar inclusive o que aconteceria caso o parlamentar não fosse reeleito em 2026.
Em áudio compartilhado nas redes nesta terça-feira, Marcius Machado decidiu encerrar a polêmica. “O projeto está suspenso. Construam e reformem como quiserem. Eu não vou mais me envolver com isso aí”, disse o deputado, retirando o nome da proposta original. A pista de oito raias e a substituição do gramado por sintético, segundo ele, ficam definitivamente fora dos planos.
O parlamentar também anunciou que a pista de atletismo migra agora para um futuro Parque da Cidade, equipamento que ainda não foi formalmente anunciado pela Prefeitura. A informação foi creditada à gestão da prefeita Carmen Zanotto, mas até o momento não há divulgação pública sobre o projeto, o local exato, os recursos ou o calendário de execução do parque.
A Torcida Organizada do Inter de Lages, que liderou as manifestações contra as alterações no estádio, comemorou a decisão. Para o grupo, a mobilização foi decisiva para que o impacto sobre a capacidade do estádio fosse evitado e que o clube tivesse condições mínimas de receber jogos de maior porte. O presidente da Câmara de Lages, vereador Maurício Batalha Machado, reforçou o argumento técnico, ao defender que estádios não são espaços adequados para atletismo, que exige local próprio com características específicas.
O episódio expôs as fragilidades de projetos esportivos lançados sem consenso prévio com os clubes e sem detalhamento orçamentário. Para os bastidores do futebol lageano, o recuo do deputado evita um problema maior: herdar um estádio em obras, com capacidade reduzida e sem garantia de conclusão, no momento em que o Inter tenta voltar ao protagonismo regional.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.


